Uma série de denúncias deve vim à tona nos próximos dias, envolvendo a LF Editora e Distribuidora de Livros LTDA, pertencente ao empresário Luiz Felipe Aranha Pinheiro.
A empresa tornou-se uma das que mais concentram contratos públicos com prefeituras do Maranhão, acumulando milhões de reais em recursos públicos em um curto espaço de tempo.
Levantamento exclusivo aponta que apenas em 2025, a empresa firmou contratos com 19 municípios maranhenses, alcançando a expressiva cifra de R$ 36.206.228,98. Os números chamam atenção não apenas pelo volume financeiro, mas pela rápida expansão da empresa dentro das administrações municipais, levantando questionamentos sobre os critérios adotados nas contratações.
As informações constam no Sistema SINC-Contrata, do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA), e revelam um cenário de concentração de recursos públicos em torno de um único empresário. O valor, inclusive, pode ser ainda maior quando considerados contratos firmados em anos anteriores — levantamento que será detalhado em matéria futura, com a identificação dos municípios e dos montantes empenhados ao longo do tempo.
Mesmo diante do faturamento milionário, a atuação da empresa já passou a ser alvo de apuração formal pelos órgãos de controle. Tramita no TCE-MA uma Representação apresentada pela Gerência de Fiscalização III, que aponta graves indícios de irregularidades, incluindo possível direcionamento de contratação, fragilidade nos procedimentos licitatórios e risco concreto de dano ao erário, no âmbito da Prefeitura de Capinzal do Norte.
O foco da investigação é um contrato firmado pela gestão municipal no valor de R$ 200.535,00 com a LF Editora. Diante dos indícios levantados, o Tribunal de Contas solicitou a suspensão imediata de todos os pagamentos, medida considerada extrema e adotada apenas quando há fortes sinais de ilegalidade.
Além disso, o TCE-MA determinou a citação do prefeito de Capinzal do Norte, Abnadar de Sousa Pereira, e da secretária municipal de Finanças e Gestão Tributária, Lidiane Pereira da Silva, para que prestem esclarecimentos formais sobre a contratação e os critérios adotados na escolha da empresa do empresário Luiz Felipe Aranha Pinheiro.
O caso expõe um modelo recorrente de contratações milionárias, no qual empresários passam a dominar o fornecimento de serviços e produtos para prefeituras, enquanto a população segue sem respostas claras sobre a transparência, a economicidade e a real necessidade desses contratos.
A imprensa continuará acompanhando o caso e, nos próximos dias, trará novos detalhes sobre o histórico de contratos da empresa, os valores envolvidos e o avanço das investigações no Tribunal de Contas do Estado do Maranhão.








