A polícia federal esta em estágio avançado na investigação contra a empresa. O inquérito que apura a atuação da Argo Engenharia e Empreendimentos avança nos órgãos de fiscalização e controle e já é tratado, nos bastidores, como mais um daqueles casos em que os números não conversam com a realidade.
Mais de R$ 100 milhões em contratos públicos, uma sede registrada em Peri Mirim que lembra mais um ponto de apoio ocasional do que uma central administrativa, e apreensão de dinheiro que chamou a atenção das autoridades. O resultado? Investigação em curso, cautela jurídica e muitas perguntas ainda sem resposta.
Segundo informações apuradas, os sócios da empresa teriam sido detidos no fim de 2025, em São Luís, com uma quantia expressiva em dinheiro em uma agência bancária. O caso segue sob investigação da Polícia Federal, e, até o momento, não há condenação, apenas diligências e apurações formais em andamento.
Do papel à prática: onde fica a Argo?
No papel, a Argo pertence a Antônio do Amparo Cordeiro Neto (33) e Adriano Márcio Cacique de New York (51). A sede declarada fica na Rua Humberto de Campos, bairro do Portinho, em Peri Mirim. No mundo real, o endereço contrasta com o volume de contratos: imóvel simples, portas fechadas e funcionamento esporádico, segundo relatos locais. Uma empresa com cifras de gente grande, mas rotina que caberia em um calendário de faxina mensal — ironias à parte.
Contratos que atravessam fronteiras
A Argo não se limitou ao Maranhão. No Pará, houve contrato com a Prefeitura de Paragominas no valor de R$ 4.676.862,81, além de registros de denúncias pretéritas envolvendo emissão manual de notas fiscais em pagamentos elevados — fatos que motivaram apurações e levantaram suspeitas à época. A empresa também firmou contrato via Ata de Registro de Preços com a Prefeitura de Oiapoque, mostrando que o mapa de negócios é mais amplo do que o endereço sugere.
O “reinado” no Maranhão
É no Maranhão, porém, que a Argo concentra o grosso do faturamento: mais de R$ 100 milhões em contratos com o Governo do Estado do Maranhão, o CREA/MA e a Prefeitura de São Luís. Fontes ouvidas pelo blog apontam, em tese, que recursos apreendidos na recente operação da PF poderiam ter origem em contratos municipais — informação ainda sob verificação oficial.
A empresa é citada por informantes como tendo relações políticas com diferentes esferas administrativas, incluindo a gestão do prefeito Eduardo Braide. Até aqui, não há decisão judicial que comprove irregularidades; o que existe é investigação em andamento — e um volume de contratos que pede explicações técnicas robustas.
Tentativas de contato e silêncio
A reportagem buscou os proprietários da Argo, sem retorno. A sede em Peri Mirim permanece fechada, segundo moradores, e ninguém cumpre expediente regular no local. O silêncio, em casos assim, não prova nada — mas não ajuda.
O que vem pela frente
O blog Veja Agora continuará acompanhando o caso, cruzando dados públicos, contratos, atas e movimentações administrativas. Apuração séria, linguagem clara e ironia na medida certa, porque quando o discurso é milionário e o endereço é modesto, o mínimo que o leitor merece são respostas.
Nota legal: todos os fatos relatados estão em apuração. Não há condenações. As menções a suspeitas são em tese, baseadas em informações públicas e relatos de fontes, preservando o contraditório e a ampla defesa.









