GAECO afirma que empresa acumulou R$ 42,2 milhões em contratos de locação de veículos com a prefeitura em apenas dois anos; investigação descreve suposto conluio com outras empresas e servidores públicos.
Denúncia, porém, foi rejeitada pela Justiça, que anulou as provas, e o caso agora está em grau de recurso no TJ-MA.
O empresário Andersen Paiva Torres, conhecido popularmente como Cabeção de Colinas, sócio da AW Transporte & Locação Eireli, foi apontado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), braço do Ministério Público do Estado do Maranhão (MP-MA), como um dos investigados em um suposto esquema de fraude a licitações, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo a Prefeitura de Porto Franco, no sul do estado.
As informações constam dos autos do processo n° 0809268-18.2025.8.10.0001, que tramita na Vara Especial Colegiada dos Crimes Organizados de São Luís e reúne mais de 1.800 páginas de relatórios, contratos e movimentações financeiras.
É importante registrar desde já: não há condenação. A denúncia oferecida na ação penal conexa (processo n° 0808258-70.2024.8.10.0001) foi rejeitada pela Justiça em 27 de junho de 2025, com anulação de todas as provas que a embasavam, e o pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados também foi indeferido.
O Ministério Público recorreu, e a apelação foi remetida ao Tribunal de Justiça do Maranhão em novembro de 2025. Andersen Paiva Torres e os demais citados são presumidamente inocentes até decisão definitiva.
O número que salta aos olhos na investigação é o volume de dinheiro público que, segundo o GAECO, fluiu para a AW Transporte & Locação. Com base em dados extraídos do Tribunal de Contas do Estado (TCE/MA), o Ministério Público afirma que os contratos da empresa com o município de Porto Franco, para prestação de serviços de locação de veículos, alcançaram R$ 42.230.736,00 somente entre 2021 e 2022 — mais de quarenta e dois milhões de reais em um município de pequeno porte.








